Dia Mundial do Braille comemora-se hoje! - GMtel

Assinala-se hoje, 4 de janeiro, o nascimento de Louis Braille, o criador do sistema de leitura e de escrita Braille. Trata-se de uma escrita tátil utilizada por pessoas invisuais ou com visão reduzida, que lhes facilita a integração na sociedade.

Com três anos de idade, Louis Braille cegou devido a um ferimento no olho esquerdo co

m uma sovela da oficina do pai. Deste acidente resultou uma infeção que se propagou ao outro olho. Em 1824, formou um alfabeto com diferentes combinações, de 1 a 6 pontos, que ainda hoje é usado como forma oficial de escrita e de leitura dos invisuais. Refira-se que esta descoberta aconteceu com recurso a uma sovela, o mesmo instrumento que o feriu.

Em Portugal, a constituição, através do Decreto-lei n.º 38/2004, inclui a utilização do braille como forma de inclusão, no ponto 1 do artigo 43.º: “O estado e as demais entidades públicas e privadas devem colocar à disposição da pessoa com deficiência, em formato acessível, designadamente em braille, caracteres ampliados, áudio, língua gestual, ou registo informático adequado, informação sobre os serviços, recursos e benefícios que lhes são destinados”.

Como a tecnologia facilita a inclusão de deficientes visuais
Inspirado por Charles Barbier, com a sonografia, Louis Braille inventou a comunicação tátil que traduz os fonemas em pontos, cujo método era apenas utilizado no campo de batalha. Refira-se que na época em que Louis Braille fez a sua descoberta, os cegos eram excluídos da sociedade.

Com 15 anos, Louis Braille simplificou o seu método, que foi inicialmente mal recebido e proibido em âmbito académico. Porém, esta restrição não impediu que muitos aprendessem o sistema em segredo. O Braille foi oficialmente adotado em 1854, dois anos após a morte do seu mentor.

Embora a importância do Braille se mantenha até aos dias de hoje, a verdade é que os avanços tecnológicos têm facilitado a inclusão dos invisuais, tanto a nível académico como no mercado de trabalho. Desta forma, têm surgido cada vez mais serviços tecnológicos dedicados às comunidades invisual e de surdos.

Nas escolas, as tecnologias podem ser utilizadas em turmas inclusivas, o que permite invisuais participarem nas tarefas propostas, sem qualquer limitação. A democratização do ensino facilita, assim, a inclusão destas pessoas por parte da sociedade, na fase da entrada no mercado de trabalho.

No dia a dia, pessoas cegas ou com visão reduzida podem recorrer a um conjunto de apps que lhes facilitam a vida. A forte utilização de dispositivos móveis permitem que a tecnologia ande no bolso de cada pessoa que necessite. Seguem alguns exemplos de apps para pessoas invisuais.

– Blindtool: permite que o dispositivo identifique o objeto que a pessoa tem à sua frente, dizendo alto o nome desse mesmo objeto e vibrando consoante a confiança que tem na descrição que está a fazer.

– Ibrailler Notes: é um teclado para invisuais que permite escrever em braille no iPad.

– Be my Eyes: permite juntar invisuais e voluntários na resolução de problemas diários como a leitura de um simples rótulo, uma conta, um etiqueta.

– Color ID: permite que o dispositivo identifique as cores para as quais a câmara está apontada, dizendo-lhe em voz alta e no próprio momento aquilo que está a ver.

– Ariadne GPS: ajuda o utilizador a seguir rotas, verbaliza as opções que este pode tomar, avisa-no nas paragens de autocarros e nos cruzamentos onde precisa de atravessar a estrada.

Para facilitar a navegação na Internet a pessoas com visão reduzida ou cegas, a Federação Nacional do Cego (FNB), associação de defesa dos invisuais nos Estados Unidos da América criou um selo online de aprovação intitulado Nonvisual Accessibility Web Application, que reconhece os websites acessíveis a invisuais. A Hewlett-Packard, Wells Fargo e a Administração Norte Americana da Segurança Social foram as primeiras entidades reconhecidas pela FNB.

Em Portugal, já foi solicitado à Alta Autoridade para a Comunicação Social que impulsione os órgãos de comunicação social a integrarem os nos seus códigos de conduta o cumprimento de normas de acessibilidade aos conteúdos online, de forma a facilitar a sua consulta por parte de pessoas com deficiência.

Decorre, pois, desta cronologia de factos, que há ainda muito por fazer e espaço para fazer muito mais! Cabe a cada um de nós, como seres humanos, cidadãos e profissionais, contribuir para a valorização do potencial que a diferença implicitamente contém. Louis Braille ou Helen Keller são apenas alguns exemplos deste potencial, demonstradores de como é possível, criar valor a partir da diferença, dando origem a um processo incontornável de inclusão, que perdurará para sempre.